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Vaga no Shopping
Sou dado a fantasias. Construo monstros invisíveis dentro de minha mente. Vou para lugares que nunca pensei existir. Histórias e mais histórias ganham dimensões inimagináveis. Basta algo passar por perto. Aí vou para mundo paralisante. Fico dentro de enredo que pode sufocar. Pensei em mudar essa realidade interior. Talvez sejam reminiscências de complexos escondidos. Antigamente me assustavam. Acho que escondiam as fantasias mirabolantes. Pensei tomar atitude. A lógica da vid
18 de mai.3 min de leitura


Mindfulness não é terapia: por que essa confusão pode atrapalhar o cuidado com a saúde mental
Nos últimos anos, o mindfulness se tornou uma das práticas mais populares quando o assunto é saúde mental. Hoje, ele está presente em consultórios, empresas, aplicativos e até em recomendações cotidianas para lidar com ansiedade, estresse e excesso de pensamentos. Sua popularização trouxe benefícios importantes, principalmente por oferecer às pessoas uma forma de desenvolver mais consciência sobre seus estados internos e reduzir respostas automáticas diante do sofrimento. No
11 de mai.3 min de leitura


O erro de querer sair melhor de tudo
Há uma expectativa silenciosa que atravessa nossa cultura: a de que toda experiência difícil deveria produzir crescimento. Que toda dor deveria virar aprendizado. Que todo sofrimento deveria resultar em uma versão “melhor” de nós mesmos. Essa expectativa é cruel. Ela transforma a vida em teste permanente. Se algo dói e não gera evolução clara, a pessoa sente que falhou duas vezes: pela dor e pela falta de ganho. Mas a vida não funciona como narrativa edificante. Algumas exper
4 de mai.1 min de leitura


O cotidiano como lugar onde tudo acontece
Existe uma expectativa quase infantil de que a vida verdadeira aconteça em momentos extraordinários. Grandes decisões. Grandes rupturas. Grandes transformações. Enquanto isso, o cotidiano é tratado como intervalo. Como algo a ser atravessado até que “algo importante” aconteça. Mas a terapia ensina outra coisa: é no cotidiano que a vida se estrutura ou se desgasta. Nos pequenos ajustes. Nas repetições. Nos gestos aparentemente irrelevantes que, acumulados, moldam a experiência
2 de mai.1 min de leitura


O pertencimento como anestesia
Pertencer é uma necessidade humana profunda. Antes de ser escolha, é condição de sobrevivência. O corpo reconhece o pertencimento como segurança. O sistema nervoso relaxa quando sente que não está sozinho. Mas essa mesma força que sustenta pode anestesiar. Há pertencimentos que não pedem pensamento, apenas adesão. Narrativas coletivas que oferecem abrigo ao custo da singularidade. Grupos, ideias, identidades que aliviam a angústia de existir, desde que o sujeito não questione
30 de abr.1 min de leitura


A verdade não pede adesão, pede espaço!
Existe uma confusão persistente entre verdade e convencimento. Como se algo só fosse verdadeiro quando capaz de reunir concordância, gerar consenso ou produzir identificação imediata. Mas a verdade raramente se comporta assim. Ela não se apresenta como convite confortável. Ela chega como deslocamento. A verdade, quando tocada, costuma desorganizar. Ela desmonta narrativas internas, descola identidades, fragiliza certezas que sustentavam o cotidiano. Por isso, muitas vezes, é
28 de abr.1 min de leitura


Espiritualidade sem idealização
A espiritualidade pode ser um espaço de libertação… ou de nova prisão. Tudo depende de como ela é vivida. Quando vira ideal, quando se transforma em exigência de serenidade constante, ela repete os mesmos mecanismos de violência psíquica que promete curar. A ideia de que alguém “espiritualizado” deveria estar sempre em paz cria um abismo entre a experiência real e o ideal imaginado. A dor, então, passa a ser vivida como falha espiritual. A raiva como regressão. A tristeza com
26 de abr.1 min de leitura


Quando a terapia não precisa de fala
Há uma ideia implícita de que a terapia precisa sempre produzir algo visível: uma interpretação, um insight, uma frase que “faz sentido”. Mas existem momentos em que a fala atrapalha. Momentos em que qualquer tentativa de organizar a experiência a empobrece. A terapia não acontece apenas no que é dito. Ela acontece no ritmo, na pausa, na respiração compartilhada, no modo como alguém é escutado sem ser conduzido. Há encontros terapêuticos em que o mais transformador é não ser
24 de abr.1 min de leitura


Compaixão não é suavidade: é sustentação
A compaixão costuma ser mal compreendida. Confundida com indulgência, fragilidade ou permissividade. Mas, na prática clínica, a compaixão é uma das posturas mais exigentes que existem. Ela não suaviza a realidade; ela a sustenta. Ser compassivo não é dizer que está tudo bem quando não está. É permanecer presente quando não há solução imediata. É não abandonar a experiência só porque ela é desconfortável. A compaixão não elimina a dor; ela retira a violência adicional que cost
22 de abr.1 min de leitura


O silêncio não cura, mas desvela
Há uma expectativa quase mágica depositada no silêncio. Como se ele fosse uma técnica de purificação. Como se bastasse calar para que a vida se organizasse sozinha. Mas o silêncio não cura. Ele não resolve conflitos. Ele não elimina dores. O silêncio faz algo mais sutil — e mais arriscado. O silêncio desvela. Quando o ruído interno diminui, aquilo que estava abafado aparece. Emoções sem nome. Sensações corporais ignoradas. Medos que não se sustentam em palavras. O silêncio nã
20 de abr.1 min de leitura


O pensamento que adoece não é o que pensa demais, é o que não sabe parar
Existe um equívoco silencioso que atravessa nossa cultura: o de que pensar é sempre sinal de saúde. Como se a mente, quando trabalha sem cessar, estivesse cumprindo bem sua função. Mas há um ponto em que o pensamento deixa de ser instrumento e passa a ser sintoma. Pensar não é o problema. O problema é quando o pensamento perde sua capacidade de concluir. Quando ele gira. Quando retorna. Quando revisita os mesmos cenários com a promessa ilusória de que, desta vez, encontrará u
20 de mar.2 min de leitura


O meio não é neutralidade
Há uma leitura perigosa do caminho do meio: a ideia de que ele representa sempre a posição mais madura, mais ética, mais correta. Como se estar no meio fosse sinônimo de sabedoria. Essa leitura transforma o caminho do meio em retórica de superioridade moral. Mas o próprio pensamento clínico exige cuidado aqui. Existem situações em que não há meio aceitável. Violência, abuso, exploração não pedem equilíbrio; pedem posicionamento claro. Transformar o meio em regra universal é e
18 de mar.1 min de leitura


Vaga no Shopping
Sou dado a fantasias. Construo monstros invisíveis dentro de minha mente. Vou para lugares que nunca pensei existir. Histórias e mais histórias ganham dimensões inimagináveis. Basta algo passar por perto. Aí vou para mundo paralisante. Fico dentro de enredo que pode sufocar. Pensei em mudar essa realidade interior. Talvez sejam reminiscências de complexos escondidos. Antigamente me assustavam. Acho que escondiam as fantasias mirabolantes. Pensei tomar atitude. A lógica da vid
16 de mar.3 min de leitura


Polarização não é opinião: é estrutura psíquica
Costumamos falar de polarização como se fosse apenas divergência de ideias. Como se bastasse mais informação, mais diálogo, mais argumentos. Mas a clínica mostra algo mais profundo: polarização é uma forma de organização do pensamento, não apenas um posicionamento. Antes de alguém defender um lado, ela já aprendeu a pensar em lados. Certo e errado. Forte e fraco. Bom e ruim. O mundo é dividido para que pareça controlável. A ambiguidade assusta. A complexidade cansa. A polariz
13 de mar.1 min de leitura


O cansaço de viver como projeto
Existe um cansaço que não aparece nos exames médicos. Um esgotamento que não se resolve com férias nem com descanso físico. É o cansaço de viver como projeto. Como obra inacabada que precisa ser constantemente corrigida, ajustada, aprimorada. Nesse modo de existir, a pessoa não vive; ela se administra. Avalia desempenho emocional, monitora reações, compara versões de si mesma. A vida vira um processo contínuo de autoauditoria. Nada é simplesmente vivido. Tudo precisa ser inte
11 de mar.1 min de leitura


Quando a mente só oferece duas portas
Há um tipo de sofrimento que não nasce da dor em si, mas da forma como a dor é organizada pelo pensamento. Não é o acontecimento que aprisiona, mas a estrutura mental que se forma ao redor dele. Pessoas chegam à clínica acreditando que vivem conflitos complexos, quando na verdade vivem perguntas estreitas demais. A mente, em muitos casos, aprende a operar como um corredor com apenas duas portas. Uma porta leva ao esforço extremo: controle total, vigilância constante, responsa
9 de mar.2 min de leitura


Quatro caminhos do meio (e quando o meio não serve)
O’Donoghue descreve quatro formas de “caminho do meio” na prática terapêutica, e essa parte do texto é quase um mapa. 1) O meio da escala: entre passividade e agressividade, a assertividade. Esse é o caminho do meio mais conhecido, quase senso comum. 2) Todos os pontos entre os polos: não só o “meio exato”, mas gradações. Aqui, o objetivo não é encontrar a resposta perfeita, mas permitir movimentos menores. O “um pouco menos agressivo hoje” pode ser mais real do que a “asse
6 de mar.2 min de leitura


O pêndulo não é indecisão: é aprisionamento
Há pessoas que se acusam de indecisas, quando na verdade estão presas. O artigo de O’Donoghue oferece uma lente preciosa para diferenciar uma coisa da outra: quando alguém oscila entre dois polos, o movimento pode parecer escolha, mas muitas vezes é apenas a estrutura dicotômica empurrando a pessoa de um lado para o outro. A lógica é cruel e simples: se um polo se torna insustentável, a pessoa corre para o outro, como quem foge de um incêndio e cai no mar. E então volta. E en
4 de mar.2 min de leitura
Gestalt-Mindfulness e Autocompaixão (MSC)Terapia
A Gestalt-Terapia é uma abordagem que ajuda a pessoa a olhar para o momento presente, entendendo seus sentimentos, pensamentos e atitudes com mais clareza. O foco está no “aqui e agora”, permitindo que o indivíduo perceba como reage às situações e encontre novas formas de lidar com elas. O Mindfulness é a prática de prestar atenção ao presente de forma consciente e sem julgamentos. Na terapia, ele ajuda a reduzir ansiedade, estresse e a criar mais presença, permitindo que a
23 de dez. de 20251 min de leitura
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