O silêncio que mora por trás dos pensamentos

Existe uma voz que nos acompanha o dia todo. Ela comenta o que fazemos, revive o que já passou e tenta adivinhar o que vem depois.
Com o tempo, nos acostumamos tanto com esse fluxo de palavras que passamos a acreditar que nós somos esse barulho. A mente, de um jeito muito sutil, constrói um personagem e nos convence de que ele é a nossa única identidade.
O Budismo nos convida a dar um passo atrás e observar esse movimento com calma.
Se olharmos bem de perto para essa voz que chamamos de "eu", percebemos que ela não tem solidez. São apenas pensamentos que surgem, mudam e desaparecem. O cansaço e a insatisfação começam justamente quando tentamos nos encaixar, à força, dentro dessa narrativa tão estreita que a mente cria.
O casaco e o espaço
Dizemos a nós mesmos: "Eu sou assim mesmo". É como se a mente costurasse um casaco pesado usando fios de memórias e expectativas, e nós aceitássemos vesti-lo, mesmo quando ele aperta.
Mas o que acontece quando silenciamos por um instante?
Se procurarmos o centro desse "eu" que tanto tentamos defender, descobrimos algo bonito: ele se dissolve como a névoa da manhã. É como descascar uma cebola; camada por camada, até perceber que o centro é feito de espaço livre.

Ser o céu
Deixar de se apegar a esse personagem não é uma perda. É, na verdade, um descanso profundo.
Significa perceber que você não precisa carregar o peso de ser a história que a sua cabeça conta. Você não é a onda que corre em direção à areia, com medo de acabar; você é o próprio oceano, amplo e sereno.
Os pensamentos, as urgências e as preocupações são apenas nuvens cruzando a paisagem. O céu não tenta segurar as nuvens, e as nuvens não podem arranhar a imensidão do céu.
Você não é o que passa. Você é o espaço acolhedor onde tudo acontece.
Se fizer sentido para você, experimente fechar os olhos por um minuto agora. Deixe as nuvens passarem e repouse no espaço que você já é.




Comentários