top of page




Vaga no Shopping
Sou dado a fantasias. Construo monstros invisíveis dentro de minha mente. Vou para lugares que nunca pensei existir. Histórias e mais histórias ganham dimensões inimagináveis. Basta algo passar por perto. Aí vou para mundo paralisante. Fico dentro de enredo que pode sufocar. Pensei em mudar essa realidade interior. Talvez sejam reminiscências de complexos escondidos. Antigamente me assustavam. Acho que escondiam as fantasias mirabolantes. Pensei tomar atitude. A lógica da vid
Vitória Mota
18 de mai.3 min de leitura


Mindfulness não é terapia: por que essa confusão pode atrapalhar o cuidado com a saúde mental
Nos últimos anos, o mindfulness se tornou uma das práticas mais populares quando o assunto é saúde mental. Hoje, ele está presente em consultórios, empresas, aplicativos e até em recomendações cotidianas para lidar com ansiedade, estresse e excesso de pensamentos. Sua popularização trouxe benefícios importantes, principalmente por oferecer às pessoas uma forma de desenvolver mais consciência sobre seus estados internos e reduzir respostas automáticas diante do sofrimento. No
Vitória Mota
11 de mai.3 min de leitura


O erro de querer sair melhor de tudo
Há uma expectativa silenciosa que atravessa nossa cultura: a de que toda experiência difícil deveria produzir crescimento. Que toda dor deveria virar aprendizado. Que todo sofrimento deveria resultar em uma versão “melhor” de nós mesmos. Essa expectativa é cruel. Ela transforma a vida em teste permanente. Se algo dói e não gera evolução clara, a pessoa sente que falhou duas vezes: pela dor e pela falta de ganho. Mas a vida não funciona como narrativa edificante. Algumas exper
Vitória Mota
4 de mai.1 min de leitura


O cotidiano como lugar onde tudo acontece
Existe uma expectativa quase infantil de que a vida verdadeira aconteça em momentos extraordinários. Grandes decisões. Grandes rupturas. Grandes transformações. Enquanto isso, o cotidiano é tratado como intervalo. Como algo a ser atravessado até que “algo importante” aconteça. Mas a terapia ensina outra coisa: é no cotidiano que a vida se estrutura ou se desgasta. Nos pequenos ajustes. Nas repetições. Nos gestos aparentemente irrelevantes que, acumulados, moldam a experiência
Vitória Mota
2 de mai.1 min de leitura


O pertencimento como anestesia
Pertencer é uma necessidade humana profunda. Antes de ser escolha, é condição de sobrevivência. O corpo reconhece o pertencimento como segurança. O sistema nervoso relaxa quando sente que não está sozinho. Mas essa mesma força que sustenta pode anestesiar. Há pertencimentos que não pedem pensamento, apenas adesão. Narrativas coletivas que oferecem abrigo ao custo da singularidade. Grupos, ideias, identidades que aliviam a angústia de existir, desde que o sujeito não questione
Vitória Mota
30 de abr.1 min de leitura


A verdade não pede adesão, pede espaço!
Existe uma confusão persistente entre verdade e convencimento. Como se algo só fosse verdadeiro quando capaz de reunir concordância, gerar consenso ou produzir identificação imediata. Mas a verdade raramente se comporta assim. Ela não se apresenta como convite confortável. Ela chega como deslocamento. A verdade, quando tocada, costuma desorganizar. Ela desmonta narrativas internas, descola identidades, fragiliza certezas que sustentavam o cotidiano. Por isso, muitas vezes, é
Vitória Mota
28 de abr.1 min de leitura


Espiritualidade sem idealização
A espiritualidade pode ser um espaço de libertação… ou de nova prisão. Tudo depende de como ela é vivida. Quando vira ideal, quando se transforma em exigência de serenidade constante, ela repete os mesmos mecanismos de violência psíquica que promete curar. A ideia de que alguém “espiritualizado” deveria estar sempre em paz cria um abismo entre a experiência real e o ideal imaginado. A dor, então, passa a ser vivida como falha espiritual. A raiva como regressão. A tristeza com
Vitória Mota
26 de abr.1 min de leitura


Quando a terapia não precisa de fala
Há uma ideia implícita de que a terapia precisa sempre produzir algo visível: uma interpretação, um insight, uma frase que “faz sentido”. Mas existem momentos em que a fala atrapalha. Momentos em que qualquer tentativa de organizar a experiência a empobrece. A terapia não acontece apenas no que é dito. Ela acontece no ritmo, na pausa, na respiração compartilhada, no modo como alguém é escutado sem ser conduzido. Há encontros terapêuticos em que o mais transformador é não ser
Vitória Mota
24 de abr.1 min de leitura


Compaixão não é suavidade: é sustentação
A compaixão costuma ser mal compreendida. Confundida com indulgência, fragilidade ou permissividade. Mas, na prática clínica, a compaixão é uma das posturas mais exigentes que existem. Ela não suaviza a realidade; ela a sustenta. Ser compassivo não é dizer que está tudo bem quando não está. É permanecer presente quando não há solução imediata. É não abandonar a experiência só porque ela é desconfortável. A compaixão não elimina a dor; ela retira a violência adicional que cost
Vitória Mota
22 de abr.1 min de leitura


O silêncio não cura, mas desvela
Há uma expectativa quase mágica depositada no silêncio. Como se ele fosse uma técnica de purificação. Como se bastasse calar para que a vida se organizasse sozinha. Mas o silêncio não cura. Ele não resolve conflitos. Ele não elimina dores. O silêncio faz algo mais sutil — e mais arriscado. O silêncio desvela. Quando o ruído interno diminui, aquilo que estava abafado aparece. Emoções sem nome. Sensações corporais ignoradas. Medos que não se sustentam em palavras. O silêncio nã
Vitória Mota
20 de abr.1 min de leitura
bottom of page
