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Quatro caminhos do meio (e quando o meio não serve)

  • Foto do escritor: Vitória Mota
    Vitória Mota
  • 6 de mar.
  • 2 min de leitura

O’Donoghue descreve quatro formas de “caminho do meio” na prática terapêutica, e essa parte do texto é quase um mapa.

1) O meio da escala: entre passividade e agressividade, a assertividade.

Esse é o caminho do meio mais conhecido, quase senso comum.

2) Todos os pontos entre os polos: não só o “meio exato”, mas gradações.

Aqui, o objetivo não é encontrar a resposta perfeita, mas permitir movimentos menores. O “um pouco menos agressivo hoje” pode ser mais real do que a “assertividade ideal”.

3) Sair do construto: quando ambos os polos estão presos numa categoria ruim.

Se a pessoa oscila entre agressão verbal e agressão física, o problema não é “qual agressão escolher”. O problema é a categoria “agressão”. A saída é mudar de construto, por exemplo, para “comunicação”.

4) O não conceitual: a ideia Madhyamika de um lugar fora das categorias.

Na terapia ocidental, isso pode aparecer como experiências de presença, silêncio, contato com algo que não precisa virar linguagem. Não como meta espiritual obrigatória, mas como possibilidade humana: a vida não precisa ser sempre pensamento.

E então vem a parte ética: nem sempre o caminho do meio é aceitável. Há situações em que “equilíbrio” vira covardia moral. O texto é importante por afirmar isso sem rodeios: um método clínico não pode virar uma desculpa para neutralidade falsa.

O que torna a proposta do O’Donoghue valiosa é justamente essa tensão bem cuidada: ele não transforma o budismo em moralismo terapêutico, nem transforma a terapia em pregação espiritual. Ele faz uma tradução útil: do caminho do meio como doutrina para o caminho do meio como ferramenta de despolarização.

Em bom português: não é sobre ser “do meio”. É sobre sair da prisão.

 
 
 

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