O erro de querer sair melhor de tudo
- Vitória Mota
- 4 de mai.
- 1 min de leitura

Há uma expectativa silenciosa que atravessa nossa cultura: a de que toda experiência difícil deveria produzir crescimento. Que toda dor deveria virar aprendizado. Que todo sofrimento deveria resultar em uma versão “melhor” de nós mesmos.
Essa expectativa é cruel. Ela transforma a vida em teste permanente. Se algo dói e não gera evolução clara, a pessoa sente que falhou duas vezes: pela dor e pela falta de ganho.
Mas a vida não funciona como narrativa edificante. Algumas experiências não ensinam nada. Elas apenas acontecem. Deixam marcas. Alteram o ritmo. Mudam o modo como alguém se relaciona com o mundo.

O desejo de sair melhor pode ser outra forma de negação. Uma tentativa de justificar a dor para torná-la aceitável. Mas nem tudo precisa ser justificado. Algumas coisas precisam apenas ser atravessadas.
Na terapia, muitas pessoas se culpam por não terem “aprendido o suficiente” com o que viveram. Como se o sofrimento tivesse sido mal aproveitado. Como se houvesse uma maneira correta de sofrer.
Talvez amadurecer não seja sair melhor, mas sair diferente. Com menos ilusões. Com mais limites. Com uma relação mais honesta com a própria vulnerabilidade.
E talvez isso já seja suficiente.




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