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O meio não é neutralidade

  • Foto do escritor: Vitória Mota
    Vitória Mota
  • 18 de mar.
  • 1 min de leitura

Há uma leitura perigosa do caminho do meio: a ideia de que ele representa sempre a posição mais madura, mais ética, mais correta. Como se estar no meio fosse sinônimo de sabedoria. Essa leitura transforma o caminho do meio em retórica de superioridade moral.

Mas o próprio pensamento clínico exige cuidado aqui. Existem situações em que não há meio aceitável. Violência, abuso, exploração não pedem equilíbrio; pedem posicionamento claro. Transformar o meio em regra universal é esvaziar a ética.

O caminho do meio terapêutico não é uma posição externa sobre o mundo. É um método interno para sair de armadilhas psíquicas. Ele não diz “fique no meio”. Ele pergunta: “essa polaridade está te aprisionando?”

Quando o meio vira discurso, ele perde sua potência clínica. Quando vira método, ele liberta. A diferença é sutil, mas fundamental.

Na prática, isso significa que o terapeuta não empurra a pessoa para um lugar idealizado de moderação. Ele ajuda a pessoa a enxergar como está presa num formato de pensamento que não oferece alternativas viáveis.

O meio não é um lugar confortável. É um espaço de instabilidade criativa. Um território onde a pessoa ainda não sabe exatamente quem será, mas já não precisa ser quem estava sendo.

 
 
 

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