Compaixão não é suavidade: é sustentação
- Vitória Mota
- 22 de abr.
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A compaixão costuma ser mal compreendida. Confundida com indulgência, fragilidade ou permissividade. Mas, na prática clínica, a compaixão é uma das posturas mais exigentes que existem. Ela não suaviza a realidade; ela a sustenta.
Ser compassivo não é dizer que está tudo bem quando não está. É permanecer presente quando não há solução imediata. É não abandonar a experiência só porque ela é desconfortável. A compaixão não elimina a dor; ela retira a violência adicional que costumamos lançar sobre ela.
Grande parte do sofrimento humano não vem apenas do que acontece, mas da forma como reagimos ao que acontece. A autocrítica severa, a cobrança incessante, a vergonha internalizada ampliam a dor original até torná-la quase insuportável.

A compaixão interrompe esse ciclo. Não porque justifica tudo, mas porque muda o tom da relação consigo mesmo. Ela cria um espaço interno onde errar não significa desaparecer, onde falhar não significa perder valor, onde sentir não significa ser fraco.
Na clínica, desenvolver compaixão não é ensinar alguém a “pensar positivo”. É ajudar a pessoa a construir uma presença interna que não ataque quando algo sai do controle. É substituir o chicote por sustentação. E isso exige coragem, não conforto.
A compaixão verdadeira não promete alívio rápido. Ela promete algo mais raro: continuidade. A possibilidade de seguir vivendo sem se destruir por dentro.




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